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Coluna Ingo Müller | Ingo no BT: um casamento improvável

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Olá leitor do BT, muito prazer!

Ingo Müller, jornalista e novo colunista do BT. Foto: Arquivo Pessoal

Depois de um curto namoro, casei a minha escrita com a nova plataforma do Belém Trânsito – um site plural, que dá espaço para debates essenciais para a transformação da sociedade. Temos em comum o apreço pela liberdade e justiça social mas, fora esta convergência de valores, percebo que minha união com o BT foi um casamento bastante improvável, já que temos mais diferenças do que coisas em comum.

Pra começar, a primeira casa do BT foi o twitter, simplesmente a rede social com a qual tenho menos afinidade. Sempre fui de falar muito, e sentia que minhas ideias não cabiam em 140 ou até mesmo 280 caracteres. Pra piorar, nunca bati meu santo com o perfil do público daquela rede, cujo comportamento tóxico cobra para problemas reais soluções na velocidade de uma hashtag. Definitivamente não era minha praia – na verdade, via aquilo como a mata ciliar que segurava uma enxurrada de chorume das demais redes por onde eu surfava habitualmente. Quem queria reclamar, ia pro twitter – eu, que queria ver gente feliz, andava pelo instagram.

Mas se não dava para ignorar totalmente o twitter era por conta de agregadores de conteúdo como o Belém Trânsito, que me fazia pesquisar por suas postagens no google para saber o que rolava na cidade. A leitura era com finalidade profissional, já que na época eu fazia ronda atrás de pauta pra tv, mas o interesse acabava aí porque minha intimidade com qualquer coisa que tenha rodas é muito baixa: só tirei a carteira de motorista aos 33 anos, e depois de muito reprovar o teste prático do Detran. Como meu referencial de condução são as ruas do GTA, minha trajetória de aprendiz de motorista envolveu até uma batida acidental. Por sorte essa colisão não causou grandes prejuízos, especialmente porque na vida real não tem macete pra vida infinita e dinheiro ilimitado… Ainda assim, foi mais um indício que, pelo bem da coletividade, é melhor que eu não esteja por trás de um volante.

Também nunca tive vontade de sequer subir em uma moto, e desde os cinco anos de idade não sei o que é andar em uma bicicleta – se tentasse aprender, a esta altura do campeonato, seria mais fácil eu cair de cara do que andar pra frente. Nem rodinhas seriam garantia de estabilidade, já que eu sou notadamente desastrado. Só conseguiria andar pedalando em algo caso algum fabricante produzisse triciclos do meu tamanho mas, convenhamos, seria bem ridículo andar por aí numa versão adulta do velocípede.

Até pra pegar ônibus eu sou uma negação: mesmo fazendo o mesmo trajeto há anos, não raro vejo o coletivo em que subi fazendo uma curva inesperada, na qual concluo – uma vez mais – que entrei no busão errado.

Dito isto, fica claro que o único papel que eu desempenho bem no trânsito é o de pedestre – o que não é de todo ruim, porque quem anda a pé observa bem a cidade, e esse olhar estrangeiro é essencial para o bom exercício do jornalismo.

Sabe aquela conversa de que os opostos se atraem? Então, acho que se aplica aqui, mas de forma distinta: com essa nova coluna, fico na torcida que nossos opostos se completem e, através do Belém Trânsito, possa levar ao leitor o meu olhar diferente para que a gente possa pensar junto numa Belém melhor.

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