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Criança autista é expulsa de academia de karatê em Ananindeua

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A advogada Thais Ribeiro fez uma denúncia nas redes sociais, na última quarta-feira, 27.  Segundo ela, seu filho, Fábio, foi “convidado” a se retirar da academia Paulo Afonso, em Ananindeua, onde fazia Karatê. Na publicação, Thais explica que a academia usou como justificativa que a criança estava atrapalhando e dispersando os alunos.

Fábio, de seis anos, tem Transtorno de Espectro Autista e fez karatê durante três meses na academia. Segundo a advogada da família, Vivianne Saraiva, os pais de Fábio não receberam o boleto para pagar o próximo mês. A instituição chamou os responsáveis da criança para uma reunião, onde foram informados pelo próprio dono do local, Paulo Afonso, que “A partir daquele momento a criança não podia mais frequentar a academia e que era pra ele ficar afastada de três a seis meses para ver se melhorava”, diz Thais, mãe de Fábio, se referindo as falas usadas por Paulo durante o encontro.   

A advogada, Vivianne, ainda esclarece que a família informou no ato da matrícula que a criança era autista. Assim como, foram apresentados laudos médicos que comprovam o autismo leve de Fábio. Todas  as documentações foram mostradas ao professor que fez a avaliação.

Os pais já foram à delegacia fazer uma representação criminal contra o professor. Os advogados irão solicitar danos reparatórios.

Com a repercussão do caso, a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), se manifestou com uma nota de repúdio, nesta quinta-feira, 28, prestando solidariedade aos familiares e amigos e em especial à criança, que foi vítima de discriminação e preconceito por membros da Academia Paulo Afonso.  Eles ainda ressaltam na nota que “Os autistas jamais poderão ser atingidos em sua honra com a linha de raciocínio de expulsão da convivência com outras pessoas”. 

A SEJUDH ainda na nota falou sobre a lei que ampara pessoa com TEA. “A lei 12.764/2012, em seu art. 1o, prevê que a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais (§ 2o) e, no Art. 3o, que são direitos da pessoa com transtorno do espectro autista: I – a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer; II – a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração”, explica a secretaria. 

Pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), têm dificuldade em lidar com mudanças de rotina. Segundo especialistas essa característica não tem causa definida, mas acredita-se que seja um padrão que gera conforto e diminui a ansiedade. 

A terapeuta ocupacional, Fernanda Tenório, explicou sobre a importância da prática esportiva no desenvolvimento pessoal de crianças autistas.  “A prática esportiva dá suporte e desenvolve as potencialidades motoras físicas e até emocionais, ajudando-os a vencer as próprias dificuldades. Além dos benefícios que ele ocasiona como, mais habilidade motora, melhora a atenção e o equilíbrio, condicionamento físico, interação social, autoestima e independência”, afirma a terapeuta sobre os benefícios do esporte na rotina dos autistas.

A Academia Paulo Afonso de Karatê, até o momento não se manifestou publicamente sobre o caso. O BT entrou em contato para saber a versão da academia, mas também não recebemos retorno.

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