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Do “fim do mundo” para a Presidência: quem é Gabriel Boric, presidente chileno mais jovem da história

Líder de protestos estudantis se tornou o candidato mais votado da história chilena com 4,6 milhões de votos

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Nascido em 11 de fevereiro de 1986, Gabriel Boric Font é filho de Luis Javier Boric e Maria Soledad Font. Boric nasceu em Punta Arenas, na região de Magalhães, no extremo sul do país, que é conhecida como o “fim do mundo”. Líder dos protestos estudantis que marcaram o país em 2011, ele derrotou o candidato ultradireitista José Antonio Kast.

Predestinado

O defensor de direitos humanos, retratista profissional e residente no Chile, Raoní Beltrão do Vale (@raonivale), 38, falou com o BT sobre a experiência presenciada na corrida presidencial chilena. “É muito emocionante, é o primeiro presidente da nova esquerda, é o segundo mais jovem no mundo. Ele é predestinado”, define Raoní.

Gabriel Boric e Raoní Beltrão do Vale. Foto: Redes Sociais.

Sobre o que a eleição de Gabriel Boric pode significar no cenário latino-americano, o defensor dos direitos humanos define como “regressão autoritária” a vitória de governos de direita nas últimas eleições. “Na história da América Latina os processos foram se espelhando em outros países, são povos irmanados nesse sentido. Aqui no Chile as pessoas se cansaram da antiga esquerda que tava no poder, liderada pela (Michele) Bachelet”, contou ele.

O começo na política

Eleito presidente do Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH), Gabriel Boric foi um dos responsáveis por liderar os movimentos estudantis que iniciaram em 2011, quando atuou como um dos porta-vozes da Confederação de Estudantes do Chile (Confech). 

Gabriel Boric, Camila Vallejo y Giorgio Jackson são representantes do movimento que levou Boric à Presidência.

Em 2013, foi eleito deputado pela primeira vez, aos 27 anos. Três anos depois, junto do deputado da Revolução Democrática (RD) Giorgio Jackson, fundou o grupo Frente Ampla, um conglomerado alternativo à Nova Maioria, da ex-presidente Michelle Bachelet. Em 2017, se reelegeu deputado.

Novos protestos

Em 2019, no momento de maior crise política do Chile, os representantes dos principais partidos políticos do país assinaram o Acordo pela Paz Social e da Nova Constituição, firmado em 15 de novembro do mesmo ano. Boric assinou em nome próprio e foi suspenso pelo partido – que era contra a assinatura.

Protestos tomaram conta do Chile em 2019. Foto: Reprodução.

Nos protestos, o político chegou a ser visto participando e defendendo manifestantes das Forças Armadas Chilenas. A truculência levou o país ao total de 34 mortos durante as manifestações de 2019.

O representante de uma geração

Em 17 de março de 2021, Boric foi confirmado pelo partido Apruebo Dignidad (Aprovo Dignidade) como candidato à . Posteriormente, derrotou o comunista Daniel Jadue nas primárias dos da aliança.

No primeiro turno da corrida presidencial Boric alcançou 25,82% dos votos e perdeu para Kast que teve 27,91%. No segundo turno, já com somente os dois na disputa, Boric teve 55,9% dos votos, contra 44,1% de Kast.

Gabriel Boric discursando no final da campanha. Foto: Reprodução.

A vitória de Gabriel Boric veio para marcar a vitória, mesmo que momentânea, de uma geração de chilenos que foram às ruas reivindicar dias melhores.

Reações à vitória

Um dos primeiros a reagir à eleição de Boric foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Através das suas redes sociais, Lula manifestou alegria ao falar do resultado. ”Parabenizo o companheiro Gabriel Boric por sua eleição para Presidente do Chile. Fico feliz por mais uma vitória de um candidato democrata e progressista na nossa América Latina, para a construção de um futuro melhor para todos”, escreveu.

Lula comemora eleição de Boric com boné da campanha. Foto: Redes sociais.

Entre as lideranças latino-americanas, o Presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o único que não cumprimentou o presidente eleito.

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