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Fundadora de grupos de apoio a mulheres com câncer morre em Belém

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A paciente oncológica Josiane Damasceno, fundadora do grupo Laços de Amor, que apoia mulheres com câncer, morreu aos 53, neste domingo, 31. Josiane descobriu que tinha câncer de mama em 2015 e, depois de um tempo ainda tratando o câncer, ela soube que estava com metástase, formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra, no pulmão e em boa parte dos ossos, sem tratamento curativo, apenas paliativo. Desde então, Josi vinha ajudando outras mulheres que passavam pela mesma situação. Josiane não concordava com os rótulos de guerreira ou de quem lutava contra o câncer, porque, para ela, no dia em que morresse ela teria “perdido” para a doença.  

Na entrevista para o BT sobre o mês do Outubro Rosa, Josiane disse  que teve que ressignificar a vida vida com câncer: “tive que adaptar ele à minha vida e não me adaptar a ele. Sou uma pessoa que tenho desejos, tenho casa e tenho um tumor, mas o tumor não me define”, relatou.  Bruna Renata, filha de Josiane, diz que a mãe sempre repetia “que a morte me encontre vivendo”. Segundo Bruna, a mãe tinha muita sede de viver e, mesmo com dor, encarava tudo com otimismo: “qualquer passeio estava ótimo”, afirma Bruna.  

Foto que Bruna, filha de, Josiane postou homenageando a mãe

Josiane era coordenadora do grupo Laços de Amor e membro da Casa Paliativa. Além disso, ela compartilhava nas redes sociais suas experiências de viver com a doença, tirava dúvidas a respeito do assunto e mostrava as ações que o grupo realizava para aumentar a autoestima das mulheres. Segundo a filha, ela recebia muitas mensagens de gratidão das pessoas: “bastava as pessoas mandarem um brigadeiro que ela já se derretia toda”, comenta Bruna. 

Na conversa com o BT no mês passado, Josiane falou sobre a falta de estrutura adequada para a prevenção do câncer nos hospitais e a romantização que as campanhas fazem sobre as mulheres nesse período. “Nós vemos muito sobre a beleza física, as pessoas tentam embelezar e não ouvir”, disse referindo-se à abordagem da mídia no mês do outubro rosa. “O que ela queria mesmo era que as pessoas tivessem tratamentos dignos e que não vivessem com dor”, diz a filha sobre os desejos da mãe. 

Bruna afirma que Josiane Damasceno deixou um legado de resiliência e principalmente de vontade de viver. Segundo Bruna, ela faleceu do jeito que queria, sem dor. “Fechou o outubro rosa”, concluiu.

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