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Transporte Público: o que é preciso para resolver o caos?

Na segunda matéria da nossa série “Transportes Coletivo: Problemas e Soluções”, vamos falar sobre as paradas de ônibus sucateadas, o aumento da frota de carros e os engarrafamentos

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O sol forte e as chuvas quase pontuais aumentam a necessidade dos usuários do transporte coletivo por paradas de ônibus de qualidade. Entretanto, as constantes reclamações de usuários nos mostram que essa necessidade não vem sendo atendida de forma satisfatória. É fácil achar protestos a respeito do tema na internet.

Internauta ironiza falta de parada de ônibus em ponto de Belém.
Usuária denuncia parada sucateada no centro da cidade.
Bem humorada, a internauta faz alusão à falta de paradas de ônibus na capital paraense.

O Belém Trânsito ouviu um desses usuários, o seu Erenilson Pontes, que se sente prejudicado com a situação, e ele afirmou que em Ananindeua, local em que mora, as paradas de ônibus também estão em falta.

Seu Erenilson Pontes, usuário do transporte coletivo, reclama da falta de paradas de ônibus. Vídeo: Belém Trânsito.

Os problemas com as paradas de ônibus enfrentados pelos usuários, assim como o sufoco com a hora do rush, são alguns dos motivos que acabam por afastar o cidadão do transporte público coletivo e por fomentar a ideia de que ter seu veículo próprio seria a solução para tudo. Todavia, o cenário não é bem assim.

Ciclo perverso

“Não há futuro urbano se o transporte depender de veículos particulares”, foi assim que Jaime Lerner, urbanista e ex-prefeito de Curitiba que faleceu em maio deste ano, definiu a situação dos carros no país. Conhecido por defender que as pessoas deveriam viver e trabalhar em distâncias curtas, Lerner foi um dos responsáveis pelo conceito de transporte realizado por ônibus articulados, com canaletas exclusivas e com paradas em estações tubos para facilitar o embarque e desembarque de passageiros, na capital paranaense. O modelo é sinônimo de sucesso no quesito mobilidade urbana.

Jaime Lerner morreu em 27 de maio de 2021. Foto: Reprodução.

Hoje, é fácil dizer que Lerner estava certo em suas afirmações. Cada vez passamos mais tempo presos dentro dos ônibus, dos carros, em cima de motos, enquanto assistimos o trânsito ficar pior ano após ano. O inchaço da frota de veículos particulares em Belém e Região Metropolitana faz com que a mobilidade se torne algo praticamente inviável.

O arquiteto e urbanista Paulo Ribeiro afirma que é necessário escapar do domínio do carrocentrismo e que a população precisa entender o papel secundário do carro na estrutura social. Além disso, ele chama de “ciclo perverso” o panorama atual.

Para romper esse ciclo perverso, precisa acabar com o reinado do automóvel.

Paulo Ribeiro
Especialista defende que carro particular não pode ser protagonista do trânsito. Vídeo: Belém Trânsito.

A Engenheira Civil com mestrado em Transportes, Patrícia Bittencourt, endossa que a escolha pelo automóvel particular não é a solução para os problemas de Belém e Região Metropolitana e defende que o investimento é essencial para alcançar melhorias.

A solução é investimento no sistema de transporte público.

Patrícia Bittencourt
Patrícia Bittencourt diz que é preciso investimento. Vídeo: Belém Trânsito

Investimento necessário

Uma das maiores dificuldades do trânsito na capital paraense é a falta de fluidez do mesmo. O inchaço da frota e a malha viária sem sofrer alterações acaba por transformar o problema em um ciclo interminável de dor de cabeça não apenas para aquele usuário que não tem outra opção senão o transporte coletivo urbano, como também para quem dirige carro particular e todos que se locomovem dentro da cidade. Um dos pontos da capital que mais consegue ilustrar isso é a BR 316, a única forma de entrada e saída da cidade por meio terrestre.

BR 316 apresenta problemas constantes com engarrafamentos. Foto: Reprodução.

Sobre isso, o arquiteto e urbanista Paulo Ribeiro diz que é preciso priorizar, dentro do espaço viário, os meios de transporte que são coletivos. Além disso, ele enfatiza a importância das faixas exclusivas para a circulação dos ônibus.

Transporte coletivo precisa e merece, pela sua importância e relevância, ter um espaço dedicado exclusivamente pra ele.

Paulo Ribeiro
Paulo Ribeiro defende que o transporte coletivo precisa ser prioridade. Vídeo: Belém Trânsito.

As faixas exclusivas, citadas pelo urbanista, podem ser encontradas em alguns pontos de Belém como na Tv. Francisco Caldeira Castelo Branco, na Av. Conselheiro Furtado, na Av. Gov. José Malcher. Entretanto, infelizmente, não são respeitadas por motoristas de carros particulares, o que dificulta ainda mais a fluidez do trânsito.

Motoristas de carros particulares usando a faixa exclusiva dos ônibus. Vídeo: Belém Trânsito.

A Engenheira Civil, Patrícia Bittencourt, defende que o investimento precisa ir além da infraestrutura necessária. Para ela, é preciso investir em educação de trânsito.

As pessoas não cobram educação dos gestores, não cobram investimento em infraestrutura. Só cobram se o ônibus tá passando ou não.

Patrícia Bittencourt
Especialista diz que é preciso investir em educação de trânsito. Vídeo: Belém Trânsito.

São essas pessoas, os usuários, as mais afetadas por todos os problemas que o sistema público de transporte venha a apresentar. Por isso, é importante conhecer suas histórias, seus perfis e suas necessidades. Mas isso é assunto para a nossa próxima matéria.

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